quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011 - Parte 2

Amor a Toda Prova


Steve Carell é um excelente ator cômico. Chama a atenção, portanto, que suas melhores performances sejam justamente em filmes onde essa comicidade não é o grande atrativo. É o caso de Pequena Miss Sunshine, Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada e este Amor a Toda Prova. No longa dirigido por Glenn Ficarra e John Requa, Carell faz a transição "fracassado/corno - bonitão/pegador" e, embora essa ideia seja um tanto batida, poucas vezes pareceu tão sincera no cinema. "Clichê", aliás, é uma palavra que (felizmente!) se adequa a essa dramédia romântica. Explico: à certa altura, o filme dá a entender que não se entregará aos inevitáveis chavões do gênero. Não é o que ocorre. O roteiro abraça as soluções fáceis, mais palatáveis, sem vergonha alguma, mas não perde em nada com isso - uma coisa é utilizar soluções manjadas como muleta para falta de criatividade; outra é dar uma volta redondinha a fim de justificar esses "finalmentes" óbvios, mas muito bem resolvidos. Elenco inspirado (Ryan Gosling está ótimo!) e trilha bacana dão o tom da bela surpresa que é Amor a Toda Prova.

Nota: 9


Se Beber, Não Case! Parte II


O sucesso desta sequência é um exemplo sólido do que acontece em Hollywood: se um filme dá certo, sua fórmula deve ser repetida à exaustão até que alguém (ou ninguém) diga "chega!". Sim, Se Beber, Não Case! Parte II é uma cópia (im)perfeita do longa de 2009, mas nem por isso não é engraçado. A trama se desenrola exatamente como da primeira vez em que o trio Phil (Bradley Cooper), Stu (Ed Helms) e Alan (Zach Galifianakis) teve a mãe das ressacas em Las Vegas. Dessa vez, Bangcoc é o cenário do novo porre - e as consequências são bem mais graves. Basicamente, tudo o que vimos antes se repete de maneira mais drástica: na Parte I, Stu perde um dente e casa com uma prostituta; aqui, tem uma tatuagem no rosto e troca fluidos com um travesti. Essa amplificação dramática, por vezes hilária, também é o maior problema de Se Beber, Não Case! Parte II. A sensação de déjà vu provocada por certas cenas, aliada ao exagero inverossímil de outras, quase compromete o conjunto da comédia. No fim das contas, é possível rir da mesma piada. Mas só uma vez, Todd Phillips.

Nota: 6,5


O Retorno de Johnny English


Híbrido de James Bond com Mr. Bean, Johnny English chegou aos cinemas pela primeira vez em 2003, em um filme que, apesar de contar com bons momentos, não decolava. Nesta tardia continuação, Rowan Atkinson volta a encarnar o atrapalhado agente secreto e - felizmente - o resultado é mais interessante. Apesar de não exagerar no escapismo, O Retorno de Johnny English rende algumas boas risadas - o que não deixa de ser curioso, pois sua história se leva a sério demais em certos momentos (tão sério que a impressão é de estarmos assistindo a um longa protagonizado por 007). Ele é, no fim das contas, mais eficiente enquanto filme de espionagem do que como comédia. No entanto, Atkinson compensa o tom sóbrio com seu impecável humor físico e caras e bocas à la Mr. Bean.

Nota: 6


30 Minutos ou Menos


O sucesso do ótimo Zumbilândia fez a dupla formada pelo diretor Ruben Fleischer e pelo ator Jesse Eisenberg acreditar que retomar a parceria renderia outra pérola. Se depender de 30 Minutos ou Menos, eles terão que trabalhar juntos novamente - dessa vez, para apagar a terrível impressão deste que é um dos piores filmes de 2011. É realmente complicado apontar o que é pior, mas vamos lá... O elenco é bastante equivocado, a começar pelas escalações de Eisenberg e do fraquíssimo "comediante" Danny McBride. A própria premissa, que mistura gêneros como comédia, policial e ação, já não sugere nada interessante, de fato: entregador de pizza é sequestrado (por sujeitos usando máscaras de macacos) e precisa assaltar um banco para livrar-se da morte. Em alguns momentos, a trama lembra o divertido Por Favor, Matem Minha Mulher, mas é tudo tão constrangedor que, no fim, praticamente nada se salva.

Nota: 2

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Retrospectiva 2011 - Parte 1

2011 não foi "aquele" ano que os cinéfilos esperavam. Tivemos excelentes filmes, sim, mas nada que fizesse muito barulho... Entre surpresas e decepções, o cinema - especialmente o hollywoodiano - trouxe, este ano, filmes com uma razoável variedade de conteúdos, ainda que, infelizmente, pouco inovadores no que diz respeito a forma como contam suas histórias. Entre erros, acertos, surpresas e decepções, segue a primeira parte de um balanço da Sétima Arte em 2011.


Super 8




J.J. Abrams nunca escondeu que faria de Super 8 uma homenagem a seu mentor cinematográfico, Steven Spielberg. Ninguém esperava, porém, que o resultado fosse tão bom quanto o das obras do próprio homenageado. Misto de E.T. - O Extraterrestre com Os Goonies (com pitadas de Tubarão e Contatos Imediatos do Terceiro Grau), o longa tem seu maior trunfo na porção infantil do elenco, absolutamente encantadora (em especial Joel Courtney e Elle Fanning). A ambientação da trama não poderia ser mais adequada: 1979. Há pôsteres de Halloween, crianças pedalando em suas bicicletas (imagem mais E.T. que essa, impossível), jovens com seus novíssimos walkmans e toda uma aura setentista/oitentista que envolve o filme. A impressão é de que, realmente, Super 8 foi filmado na época em que se passa - não só devido aos detalhes visuais, mas pelo clima da produção.

A única ressalva fica por conta do visual do alien, monstruoso e animalesco demais. Além de Spielberg, outra lenda que certamente se orgulhou de seu pupilo foi John Williams. A trilha de Michael Giacchino (colaborador habitual de Abrams) flerta com o que o mestre fez de melhor em sua carreira, mas sempre soa original e casa com o filme de maneira impecável. Contando ainda com bons efeitos (visuais e, principalmente, sonoros) Super 8 é, desde já, uma das produções a melhor utilizar o recurso da metalinguagem - embora seja mais importante durante o primeiro terço, ele é pontual no decorrer de toda a história e é, afinal, o catalisador de grande parte dos eventos narrados. Ao final, lágrimas, sorrisos e satisfação em poder assistir ao melhor filme do ano.


Nota: 10



Planeta dos Macacos - A Origem



E quando ninguém mais ligava para a macacada, eis que eles voltaram - despretensiosamente? - aos cinemas. Ausentes das telas após o fiasco dirigido por Tim Burton em 2001, os símios da popular série iniciada em 1968 têm, neste novo filme, seu melhor momento desde o longa original. O maior diferencial em relação aos outros cinco Planeta dos Macacos é a tecnologia à disposição do diretor Rupert Wyatt, que faz com que todos os macacos (e não são poucos) do filme sejam criados digitalmente. Uma das exceções é o protagonista, Cesar, interpretado pelo ator Andy Serkis (o Gollum, de O Senhor dos Anéis) através da tecnologia de captura de performance. O macaco que lidera a rebelião primata em Planeta dos Macacos - A Origem é um anti-heroi clássico, a alma da trama - e muito disso deve-se ao trabalho de Serkis.

No entanto, é uma pena que o filme dependa tanto de Cesar para torna-se interessante. À exceção do competente John Lithgow, o elenco humano é bastante irregular - a personagem de Freida Pinto, além de mal desenvolvida, não faz diferença alguma ao enredo. Além disso, Planeta dos Macacos - A Origem é irregular também em seus efeitos visuais, e isso quase compromete boa parte dos esforços do filme, que tem nesse recurso sua maior aposta. Cesar, enquanto bebê, sempre soa extremamente artificial, e a profusão de macacos em certas cenas evidencia a inconstância dos efeitos criados pela Weta Digital. O roteiro possui boas ideias e deixa um interessante gancho para uma eventual (e inevitável) sequência, mas é falho ao desenvolver seus personagens e a história, de maneira geral, é bastante previsível e superficial. Completam o pacote boas sequências de ação e a ágil montagem que não deixa o filme perder o ritmo. Bom entretenimento, mas podia mais. Muito mais.


Nota: 7

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Oscar 2011 - Palpites

Todo ano é a mesma coisa. Às vésperas da maior festa do cinema, alguns cinéfilos quebram a cabeça para (tentar) prever quem sairá do Kodak Theatre com um Oscar entre as mãos. Diferente da previsibilidade dos últimos anos, algumas categorias, nesta edição, estão particularmente difíceis de dar um palpite com absoluta certeza. Mas... Vamos ver no que vai dar...

Melhor Filme

Vence: O Discurso do Rei

O longa de Tom Hooper faturou o PGA (Prêmio do Sindicato dos Produtores), que é um termômetro bastante confiável para o Oscar. Nos últimos três anos, o vencedor foi o mesmo em ambas as premiações, o que aumenta as chances da produção. Além disso, é o típico filme que a Academia adora, mas que andava meio sumido: britânico, certinho, com grandes interpretações. Está longe de ser o melhor, mas ainda assim é um filme interessante.

Tem chances: A Rede Social

Surgiu como o grande favorito, ganhou diversos prêmios (Critics' Choice Awards, Globo de Ouro...) mas perdeu força na reta final. Sua temática muito, digamos, "moderninha", tem sido apontada como empecilho entre os votantes, notoriamente conservadores. Se vencer, o Oscar estará em boas mãos, mas não nas melhores.

Meu voto iria para: Toy Story 3
Sou suspeito para falar, já que sou fã incondicional da saga dos brinquedos, mas o fecho da trilogia é de uma perfeição ímpar. Pena que chegue com chances mínimas.


Melhor Diretor


Vence: David Fincher, por A Rede Social
Não gosto de divisões ("a" ganha diretor, "b" filme), mas, nesse caso, parece o mais provável. Fincher é um dos melhores cineastas da atualidade e merece o Oscar, mas ele já fez melhor...

Tem chances: Tom Hooper, por O Discurso do Rei

Seria a escolha lógica, caso O Discurso do Rei vença, mas pesam contra Hooper o fato de ele ser um diretor de filmografia modesta. No entanto, a vitória no Sindicato dos Diretores mantém ele na briga.

Meu voto iria para: Darren Aronofsky, por Cisne Negro Entre os indicados, é o que melhor explicita seu trabalho na tela. Sua direção é repleta de detalhes, e certamente ele contribui muito para o excelente desempenho do elenco.

Melhor Ator

Vence: Colin Firth, por O Discurso do Rei

Não dá pra não dar um Oscar ao rei gago brilhantemente interpretado por Firth. A estatueta é dele.

Tem chances: duvido muito, mas, se tivesse que apostar em alguma zebra, James Franco, por 127 Horas.
Meu voto iria para: Colin Firth

Melhor Atriz

Vence: Natalie Portman, por Cisne Negro
Outra que não tem como perder. Seria uma tremenda injustiça a perturbada bailarina de Natalie sair de mãos vazias.
Tem chances: sem zebras por aqui.

Meu voto iria para: Natalie Portman

Melhor Ator Coadjuvante


Vence: Christian Bale, por O Vencedor

Mais um que chega com uma mão no troféu. Sua composição é brilhante, como o ex-boxeador drogado e cheio de tiques-nervosos.

Tem chances: Geoffrey Rush, por O Discurso do Rei

Veterano, Rush já tem um Oscar (por Shine - Brilhante) e está excelente como o fonoaudiólogo pouco ortodoxo do rei gago, mas não acredito em tal surpresa.

Meu voto iria para: Christian Bale


Melhor Atriz Coadjuvante


Vence: Hailee Steinfeld, por Bravura Indômita
Não é a franca favorita, mas sua interpretação é vigorosa, passando um ar de fragilidade (afinal, ela tem apenas 14 anos), que contrasta com suas atitudes. É o achado de 2010.
Tem chances: Melissa Leo, por O Vencedor

A seu favor, as vitórias em diversas premiações. Contra, a bizarra - e desnecessária - propaganda para pedir votos. E continuo achando sua performance apenas correta.

Meu voto iria para: Hailee Steinfeld

Melhor Roteiro Original


Vence: O Discurso do Rei
Categoria difícil, com pelo menos dois filmes polarizando a disputa. Já que O Discurso do Rei deve vencer o prêmio principal, vou na lógica.

Tem chances: A Origem

Seria o prêmio de consolação de Christopher Nolan, que não figurou - injustamente - entre os diretores e não tem chances em Melhor Filme. É um roteiro que certamente deu trabalho para ser escrito, e isso pode ser valorizado entre os votantes.
Meu voto iria para: A Origem

Roteiro Adaptado

Vence: A Rede Social

A princípio, é uma barbada. E não dá para discutir: Aaron Sorkin concebeu um roteiro brilhante.
Tem chances: Bravura Indômita.
Mínimas, mas tem.

Meu voto iria para: A Rede Social

Melhor Animação


Vence: Toy Story 3

Tem chances: nenhum. Se Toy Story 3 não levar, desligo a TV.

Meu voto iria para: Toy Story 3

Melhor Filme Estrangeiro

Vence: Em Um Mundo Melhor, da Dinamarca
Tem chances: Biutiful, do México
Meu voto iria para: não assisti nenhum, mas gosto do trabalho de Iñárritu. Logo, torco por Biutiful.

Melhor Trilha Sonora

Vence: A Origem
O trabalho de Hans Zimmer não chega como favorito, mas é tão intenso e adequado a trama que seria um pecado não premiá-la.
Tem chances: A Rede Social
Composta por uma dupla - Trent Reznor e Atticus Ross - a música de A Rede Social chega como forte candidata, mas longe de ser a melhor entre as indicadas.
Meu voto iria para: A Origem

Melhor Canção Original

Vence: "We Belong Together", de Toy Story 3
Composta por Randy Newman, é a melhor entre as concorrentes.
Tem chances: "I See The Light", de Enrolados
Os contos de fadas da Disney sempre são fortes nessa categoria.
Meu voto iria para: "We Belong Together"

Melhor Fotografia

Vence: O Discurso do Rei
Não é minha preferida, apesar de excelente.
Tem chances: A Origem
Meu voto iria para: Bravura Indômita

Melhor Montagem

Vence: A Rede Social
É um filme que depende muito da edição para não deixar a peteca cair. Por ser excessivamente verborrágico, poderia ser maçante, mas o ritmo é cadenciado de maneira perfeita.
Tem chances: O Discurso do Rei
Meu voto iria para: 127 Horas

Melhor Direção de Arte

Vence: Alice no País das Maravilhas
Bizarro.
Tem chances: O Discurso do Rei
Clássico.
Meu voto iria para: Bravura Indômita
Rústico. Yeah!

Melhor Figurino

Vence: Alice no País das Maravilhas
Bizarro. Mas nem tanto.
Tem chances: O Discurso do Rei
Clássico. Mas nem tanto.
Meu voto iria para: Bravura Indômita
Rústico. E como.

Melhor Maquiagem

Vence: O Lobisomem
É o único dos três indicados que assisti. E é a única coisa que presta no filme.
Tem chances: difícil dizer... The Way Back, talvez?
Meu voto iria para: O Lobisomem

Melhores Efeitos Especiais

Vence: A Origem
Tem chances: qualquer outro seria uma senhora zebra. Aí eu lembro que Transformers perdeu para A Bússola de Ouro. Pois é.
Meu voto iria para: A Origem

Melhor Edição de Som

Vence: A Origem
Na dúvida, o mais barulhento.
Tem chances: hmmm, Toy Story 3? Duvido muito.
Meu voto iria para: A Origem

Melhor Mixagem de Som

Vence: A Origem
Na dúvida, o mais barulhento ².
Tem chances: hmmm, A Rede Social? Duvido muito.
Meu voto iria para: A Origem

Nas próximas categorias, chutes às cegas:

Melhor Documentário

Vence: Inside Job
Porquê? Não sei. Chute.
Tem chances: Lixo Extraordinário
Brasil-sil-sil!
Meu voto iria para: Exit Through The Gift Shop
Assisti apenas dois. Esse e Gasland. Fico com o ótimo documentário de Bansky sobre a arte nas ruas.

Melhor Curta-Metragem

Vence: Na Wewe

Melhor Documentário em Curta-Metragem

Vence: Killing In The Name

Melhor Animação em Curta-Metragem

Vence: Day & Night
Esse eu até vi. E é brilhante, diga-se.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Um balanço do Oscar de 2000 a 2010

Nem sempre os melhores ganham o Oscar. Nos últimos anos, testemunhamos equívocos colossais por parte da Academia de Artes de Ciência Cinematográficas. Algumas vezes esses "erros" não chegam a causar tanto alvoroço, sobretudo quando concorrentes estão no mesmo, digamos, patamar (seja ele alto ou baixo). Porém, na maioria das vezes fica aquela sensação de "ah, mas esse filme não era o melhor" ou "esse diretor só ganhou porque já havia sido indicado várias vezes". Enfim, com o Oscar 2011 cada vez mais perto, é hora de analisar quem, de fato, mereceu a cobiçada estatueta na última década, e quem merecia ter voltado para casa com as mãos abanando.

2000 (72º)

E o Oscar foi para... Beleza Americana


Mas deveria ter ido para... O Sexto Sentido

É difícil tirar o mérito deste excelente drama dirigido por Sam Mendes, sobre uma família disfuncional cujo patriarca tem uma queda pela melhor amiga de sua filha. Particularmente, penso que a Academia perdeu a oportunidade de premiar, pela primeira vez, um longa de horror (vá lá, suspense) de alto nível. O Sexto Sentido, não há como negar, é um filme importantíssimo dentro de um gênero tão surrado e notoriamente ignorado pelos votantes. Hoje, 11 anos depois, a história do menino que vê gente morta permanece vigorosa e, por mais que M. Night Shyamalan tenha desaprendido a dirigir, sua primeira incursão em Hollywood jamais será esquecida.

2001 (73º)

E o Oscar foi para... Gladiador

Mas deveria ter ido para... Traffic


Já se vão 10 anos e continuo sem entender o que a Academia viu de tão formidável e maravilhoso em Gladiador, de Ridley Scott, que justificasse sua vitória. É um filme grandioso, visualmente impecável, mas não passa disso. Seu roteiro (?), sequer indicado, é um fiapo sem dó, previsível e repleto de personagens mal desenvolvidos. Por outro lado, Traffic, vencedor de Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor, para Steven Soderbergh, possui uma trama mais densa, que cruza diversas histórias paralelas envolvendo o tráfico de drogas em San Diego. O ótimo elenco - Michael Douglas, Benicio Del Toro, Don Cheadle - completa o pacote.


2002 (74º)

E o Oscar foi para... Uma Mente Brilhante

Mas deveria ter ido para... O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel


Uma Mente Brilhante é outro daqueles filmes que não possui nada de excepcional a ponto de faturar um Oscar (quatro, nesse caso). É um filme correto, bem dirigido e conta uma história real (a do matemático John Nash) - algo que a Academia adora. Talvez por ter - erroneamente - premiado um épico no ano anterior, os votantes relegaram ao primeiro capítulo da saga do anel somente prêmios técnicos. Uma pena. A Sociedade do Anel é um longa perfeito, o melhor da trilogia. Peter Jackson, além do visual arrebatador (efeitos visuais, direção de arte, figurnos - é tudo impecável), transpôs à tela um livro que muitos julgavam impossível de ser adaptado. E isso não é pouca coisa.

2003 (75º)

E o Oscar foi para... Chicago

Mas deveria ter ido para... O Pianista

Não, Chicago não é ruim. Mas O Pianista é uma verdadeira obra-prima. Histórias sobre o holocausto nazista durante a Segunda Guerra já haviam sido retratadas no cinema - e até vencido Oscar (A Lista de Schindler), mas coube a Roman Polanski empregar um realismo visceral à película. Seu protagonista, um pianista judeu que luta para sobreviver em uma Varsóvia destruída pelos alemães, deu a Adrien Brody o Oscar de Melhor Ator. Além disso, venceu Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Diretor. Nesse ano, aparentemente, o lobby de Harvey Weinstein - o todo-poderoso da Miramax -, conhecido por fazer campanhas descaradas (às vezes sujas) para seus filmes, pesou entre os votantes que, assim como em outras ocasiões, não conseguiram dizer não aos "encantos" do executivo.

2004 (76º)

E o Oscar foi para... O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei


Tinha mais é que ir para O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei

Era agora ou nunca. Se a Academia não concedesse a maior láurea do cinema ao último capítulo da aventura de Frodo e seus companheiros, uma das maiores sagas da história do cinema passaria incólume aos olhos dos votantes. O bom senso falou mais alto e, finalmente, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei saiu vitorioso. Não bastasse isso, o longa ainda igualou o recorde de Ben-Hur e Titanic ao conquistar nada menos que 11 estatuetas. É uma pena, no entanto, que o filme tenha tido como adversários outros ótimos títulos - que tiveram de se conformar com alguns poucos prêmios -, como Sobre Meninos e Lobos e Encontros e Desencontros. Mas sua vitória foi mais do que justa.

2005 (77º)

E o Oscar foi para... Menina de Ouro

Tinha mais é que ir para Menina de Ouro

Novamente, o Oscar estava em boas mãos. Já tendo vencido em 1993, por Os Imperdoáveis, Clint Eastwood voltou a dominar a festa e saiu com os prêmios principais. Drama dirigido com maestria por Clint, Menina de Ouro apresenta um tema muito querido pela Academia, e que geralmente rende ótimos filmes: o boxe. Mas não é um Rocky de saia, como muito se especulou antes da estreia. Esmerada e perfeita no papel da jovem pobre que sonha em ser boxeadora, Hilary Swank também levou seu Oscar para casa (o segundo). Mas a trama não se resume a isso. O roteiro aborda, de maneira sensível, o relacionamento da pugilista com seu treinador, vivido por um Eastwood bastante turrão (como sempre), além de tocar em questões delicadas como a eutanásia.

2006 (78º)

E o Oscar foi para... Crash - No Limite

Mas deveria ter ido para... Qualquer um, menos Crash - No Limite

Num ano com ótimos filmes concorrendo, os caras escolhem justamente o mais fraco para ser premiado?! Crash - No Limite é um longa com inúmeros problemas: as tramas paralelas são irregulares e, por vezes, previsíveis; o grande número de atores, que resulta em atuações díspares e desniveladas (Matt Dillon está muito bem; Sandra Bullock, péssima). Qualquer um dos outros quatro indicados é bastante superior ao filme dirigido por Paul Haggis. Pessoalmente, daria meu voto a Munique, de Steven Spielberg, sobre o atentado nas Olimpíadas de 1972, mas tanto O Segredo de Brokeback Mountain, Capote ou Boa Noite e Boa Sorte tinham potencial para saírem consagrados.

2007 (79º)

E o Oscar foi para... Os Infiltrados

Tinha mais é que ir para Os Infiltrados

Novamente um ano muito nivelado (por cima, felizmente). Não seria decepcionante se o vencedor fosse outro (talvez apenas Babel, que era o "menos bom"): Cartas de Iwo Jima, A Rainha e Pequena Miss Sunshine também eram dignos do troféu. Mas a Academia resolveu - tardiamente - reconhecer o talento de Martin Scorsese e premiar um filme que, apesar de não ser seu melhor trabalho, é infinitamente superior ao que o diretor vinha fazendo ultimamente, como O Aviador e Gangues de Nova York. Violento - tanto verbal quanto visualmente - Os Infiltrados funciona muito graças ao afinadíssimo elenco encabeçado por Leonardo Di Caprio, Matt Damon, Jack Nicholson e Martin Sheen. No fim das contas, foi um prêmio de consolação, mas merecido.

2008 (80º)

E o Oscar foi para... Onde Os Fracos Não Têm Vez

Tinha mais é que ir para Onde Os Fracos Não Têm Vez

Pelo segundo ano consecutivo, a violência é o que move a trama do vencedor do Oscar. Dois dos melhores cineastas da atualidade, os irmãos Joel e Ethan Coen adaptaram o romance "Onde Os Velhos Não Têm Vez" de Cormac McCarthy e obtiveram uma justíssima vitória. Por mais que o grande público torça o nariz para Onde Os Fracos Não Têm Vez (é assim com a maioria dos filmes da dupla), há de se admitir a capacidade dos cineastas em construir obras com "clima"e repletas de personagens complexos e interessantes, imersos em um mundo que só os Coen conseguem criar. Destaque, também, para Javier Bardem, possuído na pele do impiedoso Anton Chigurh.

2009 (81º)

E o Oscar foi para... Quem Quer Ser Um Milionário?


Tinha mais é que ir para Quem Quer Ser Um Milionário?

Há anos a Academia não premiava um filme cujo mote fosse um romance. Ambientado na Índia, Quem Quer Ser Um Milionário? acompanha a jornada do menino Jamal em busca de sua eterna amada, Latika. Durante os anos que os mantiveram separados, ele passa por inúmeras dificuldades ao lado de seu irmão mais velho e, já crescido, participa de uma espécie de Show do Milhão hindi. Danny Boyle, cineasta versátil que é, transforma o visual do longa em um espetáculo à parte - a fotografia saturada e a montagem frenética são sensacionais. Seus demais adversários chegaram à festa já com poucas chances, destacando-se, entre eles, Frost/Nixon e Milk - A Voz da Igualdade.

2010 (82º)

E o Oscar foi para... Guerra Ao Terror

Mas deveria ter ido para... Bastardos Inglórios


Quer coisa mais legal que Hitler sendo esburacado, trucidado, fuzilado, a ponto de virar uma massa disforme? A Academia parece não ter curtido muito a versão surtada de Quentin Tarantino para o confronto entre judeus e nazistas durante a Segunda Guerra. Ao invés disso, preferiu premiar um filme de temática recente - a Guerra do Iraque -, e com tratamento mais realista. Guerra Ao Terror, de Kathryn Bigelow, é uma obra crua, dura e, em alguns momentos, perturbadora. Mas cinema também é escapismo, oras! Mais "controlado", se compararmos seus outros filmes, Tarantino costura uma trama fictícia recheada de personagens - e cenas - impagáveis. O Coronel Hans Landa, interpretado por Christoph Waltz, já é uma figura marcante na cultura pop.


Faltam 5 dias para o Oscar 2011

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita

Os filmes dos irmãos Joel e Ethan Coen pertencem a um gênero cinematográfico muito específico: filmes dos irmãos Joel e Ethan Coen. São obras diferenciadas, que, muitas vezes, o grande público ignora por se tratarem de histórias que fogem do lugar-comum, sobre pessoas estranhas em situações ainda mais estranhas, caso de Arizona Nunca Mais, O Grande Lebowski, E aí, Meu Irmão, Cadê Você? e Fargo, só para citar alguns. Logo, não surpreende que Bravura Indômita, um longa menos autoral, tenha feito o sucesso que fez nas bilheterias norte-americanas. Mais convencional em sua narrativa, se comparado a filmografia dos Coen, este faroeste, no entanto, não deve nada ao estilo que consagrou a dupla, e é mais uma obra-prima em suas brilhantes carreiras.

Bravura Indômita chegou aos cinemas pela primeira vez em 1969, dirigido por Henry Hathaway. Baseado no romance homônimo de Charles Portis, o filme estrelado por John Wayne, apesar de divertido e conduzido de maneira correta por Hathaway, não resistiu bem ao tempo e dificilmente é lembrado entre os melhores do gênero. Para não repetir qualquer equívoco do antigo, Joel e Ethan Coen optaram por roteirizar este tendo como base o texto original, não o filme (que eles juram que nem assistiram). O "novo" Bravura Indômita não é, portanto, um remake, mas uma releitura do livro de Portis.

Ainda assim, as comparações são inevitáveis. Conhecidos por arrancarem performances marcantes de seus protagonistas, os Coen novamente têm um elenco impecável a sua disposição. Diferente das performances exageradas e, por vezes, caricatas do filme de 69, aqui os atores conseguem dosar os trejeitos e expressões burlescas (que se fazem necessários em certos momentos) com a sobriedade que, afinal de contas, condiz com grande parte da trama. Jeff Bridges defende com vigor o papel que fora de Wayne. Mesmo que o eterno cowboy tenha conquistado um Oscar por sua atuação, Bridges faz do oficial Reuben "Rooster" Cogburn uma figura mais complexa, e a inclusão de duas sequências ausentes anteriormente tratam de desmistificá-lo, tornando o personagem mais humano e mostrando que sua existência é mais dramática do que inicialmente se pensa, quando é introduzido como um sujeito beberrão e preguiçoso.

Quem faz o filme andar, porém, é a jovem Mattie Ross que, movida por um sentimento de vingança, contrata Cogburn para capturar e matar o assassino de seu pai. Durona, ela decide acompanhar o anti-heroi para garantir que ele cumprirá o acordo. Interpretada pela estreante Hailee Steinfeld com uma maturidade assustadora, ela é apresentada como uma menina que prefere - como sugere um personagem - revólveres a bonecas, além de ser extremamente hábil em negociar valores com pessoas de muito mais idade. Não é exagero destacar que, mesmo com nomes como Jeff Bridges, Matt Damon e Josh Brolin no elenco, é Hailee a encarregada de levar o longa nas costas - e em um filme dos irmãos Coen essa tarefa revela-se sempre um desafio -, o que ela faz com imensa competência e personalidade.


Em sua décima parceria com os cineastas, o veterano Roger Deakins, mais uma vez, esb
anja talento e transforma sua fotografia em um dos maiores trunfos da produção. Os planos concebidos por ele evocam a natureza dura tanto do local quanto das pessoas que o habitam. Ao mesmo tempo, a tonalidade fria das - poucas - cores utilizadas no filme ilustram com perfeição o lado mais sombrio dos protagonistas, presente durante toda a história, enquanto a utilização de contraluzes em algumas cenas revela-se uma belíssima solução visual.

Apesar de economizar no humor negro e na violência, característicos em suas obras, não há como negar qu
e Bravura Indômita é um legítimo "filme dos irmãos Joel e Ethan Coen". A coragem para costurar um final não necessariamente redondo ou feliz está presente no roteiro, tal qual em seus melhores filmes, mas, por se tratar de um western - marcado pelo virtuosismo de seus protagonistas -, é interessante notar que os prolíficos irmãos tenham ignorado o epílogo do longa de Hathaway. Aqui, até o mais bravo dos mocinhos é vulnerável. E a tal bravura indômita do título remete, sim, a um personagem, e não é Cogburn.

Nota: 9

True Grit, 2010. De Joel e Ethan Coen. Com Jeff Bridges, Hailee Steinfeld, Matt Damon, Josh Brolin, Barry Pepper. Western.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Lá vem o Oscar! Grandes momentos - Quando a simplicidade vence

Os grandes astros de Hollywood podem não valorizar mais o Oscar como antigamente, mas ainda há gente que se emociona verdadeiramente ao segurar uma estatueta dourada entre as mãos. Note, por exemplo, como os vencedores em categorias "menos importantes", como Melhor Curta-Metragem de Animação ou Melhor Documentário, não escondem a euforia de sair da festa com o nome laureado. Em 2008, numa categoria que tem - vá lá - alguma expressão, os atores e músicos Glen Hansard e Markéta Irglová subiram ao palco do Kodak Theatre em duas ocasiões: para interpretar a canção-tema do filme Apenas Uma Vez e, depois, para receber de John Travolta o Oscar de Melhor Canção Original. E, no ano de uma das cerimônias mais entediantes da história, a dupla garantiu o momento mais singelo da noite.

O próprio longa do qual a vencedora canção "Falling Slowly" faz parte é a singeleza em película. Dirigida por John Carney, a história acompanha dois personagens (intitulados apenas de "ele" e "ela"). Músico, ele toca nas ruas de Dublin, enquanto ela, florista de profissão, revela-se uma excelente pianista. Ambos se aproximam e passam a compor e tocar juntos e, por mais que estejam gostando um do outro, não conseguem fazer a relação evoluir, devido ao fato de ela ser casada e ele continuar apaixonado pela ex-namorada.

Todas as composições escritas para o filme são belíssimas, destacando-se, logicamente, a oscarizada. Versos genu
inamente emocionantes que, aliados a uma melodia envolvente (ainda que triste) fazem da vitória de "Falling Slowly" uma das mais justas entre as últimas da categoria. Claro que eles tiveram sua parcela de, digamos, sorte, já que as demais canções concorrentes eram - sem exceção - sofríveis. Ainda assim, isso não tira o mérito da vencedora. Ao ouvirem seus nomes após o clássico "and the Oscar goes to...", ambos - visivelmente surpresos - agradeceram (ela foi interrompida pela música, mas voltou no bloco seguinte) com palavras simples e sem grandes floreios. Igual ao filme. Igual à música.

Faltam 18 dias para o Oscar 2011.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O Vencedor

Hollywood adora histórias de superação por meio do boxe. Sejam elas fictícias, como em Rocky, Um Lutador (1976) e Menina de Ouro (2004), ou inspiradas em feitos reais, caso de Ali (2001), A Luta Pela Esperança (2005) e este O Vencedor, que traz Mark Wahlberg na pele do ex-campeão mundial da categoria peso médio Micky Ward. Assim como todo bom filme de boxe, também, o longa do diretor David O'Russell é mais do que ringues, sparrings e nocautes. São os dramas e relações do personagem com quem o cerca que fazem a narrativa andar.

Durante boa parte de sua carreira, Ward foi considerado uma espécie de "escada" para outros lutadores. O roteiro aborda justamente o período em que ele, já ciente de que a idade começaria a pesar em breve, decide abandonar uma rotina de derrotas e passa a dedicar-se intensamente aos treinamentos. Para isso, ele conta com a ajuda de seu irmão mais velho, Dick (Christian Bale), um ex-lutador que teve seu momento de glória, mas que agora vive de pequenos furtos para sustentar seu vício em crack.

E é aí que reside o grande trunfo de O Vencedor: por mais que Wahlberg ofereça uma interpretação sólida e bastante convincente de seu personagem, Bale é, inegavelmente, o dono do filme. Longe do físico robusto de Bruce Wayne nos últimos Batmans, ele aqui surge magro, calvo e abatido, consequência do uso constante de drogas. É mais surpreendente - e chega a ser comovente - notar que, apesar da vida desregrada e das súbitas mudanças de temperamento, Dick é um sujeito de bom coração que, iludido de que poderá voltar aos ringues algum dia, só quer treinar seu irmão e fazer dele um pugilista tão bom quanto ele julga ter sido. Durante os créditos finais, são inseridas imagens dos Micky e Dick reais, confirmando o quão semelhante Bale ficou ao boxeador, tanto fisicamente quanto em seus trejeitos e tiques-nervosos.
Enquanto isso, Melissa Leo encarna a oportunista mãe dos irmãos lutadores. Sem lá muitos escrúpulos, ela faz de tudo para embolsar alguns dólares com as lutas do filho - mesmo que seja contra caras com 10 quilos a mais que ele, e também não perde a chance de aparecer toda chique no documentário que a HBO produz a respeito do problema de Dick com tóxicos. Ao mesmo tempo, sabe quando deve ser mãe: com frequência ela demonstra preocupação com as atitudes delinquentes do mais velho, e, mesmo brigada com Micky devido a sua posição excessivamente dominadora, vibra com as vitórias que levariam o caçula à consagração máxima. Além do trio, O'Russell oferece a Amy Adams - como a namorada do protagonista - seu primeiro papel realmente desafiador, diferente das figuras delicadas as quais acostumou-se a interpretar.

Apesar de ser uma história que não se prende ao boxe para desenvolver sua narrativa, é inaceitável que o filme deixe de ser eficiente justamente... nas lutas! Se durante todo o restante da trama, direção e montagem funcionam de maneira brilhante - a câmera na mão e os close-ups duros nos rostos dos personagens acentuam o desconforto emocional da problemática família, enquanto a montagem linear jamais soa cansativa -, o mesmo não se pode dizer das sequências no ringue. Com raros momentos empolgantes, elas são burocráticas em sua edição (algumas chegam a ser frustrantes de tão rápidas). Mesmo o tão aguardado embate final - algo que a série Rocky quase sempre realizou à perfeição - deixa a desejar. E a troca de socos em câmera lenta, além de desnecessária, é risível.

Essas falhas, entretanto, não obscurecem o belo conjunto de O Vencedor, que aposta - acertadamente - em evidenciar as pessoas que fizeram do episódio em questão um grande momento em suas vidas. O boxe ficou em segundo plano. Afinal, antes de boxeadores, Micky e Dick são seres humanos.

Nota: 8,5

The Fighter, 2010. De David O'Russell. Com Mark Wahlberg, Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo. Drama.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Lá vem o Oscar! Grandes momentos - Al Pacino sai da fila

Durante anos, a Academia deveu um Oscar ao grande Al Pacino. Indicado anteriormente em sete ocasiões, ele poderia muito bem ter recebido a láurea máxima do cinema antes. Como deixar um de seus maiores personagens - o mafioso Michael Corleone - somente com indicações, por O Poderoso Chefão (1972) e O Poderoso Chefão: Parte II (1974)? Mesmo em filmes de menor repercussão, como Serpico (1973) e Um Dia de Cão (1975), suas sempre enérgicas composições chamaram a atenção.


Em 1993 - vinte anos após sua primeira indicação - Pacino saiu da fila. Coube a um singelo drama chamado Perfume de Mulher oferecer a ele a oportunidade de (finalmente!) levar um Oscar para casa. No longa dirigido por Martin Brest, Pacino dá vida ao Tenente-Coronel Frank Slade que, cego e amargurado, decide realizar alguns sonhos antes de morrer. Era impossível os membros da Academia negarem o prêmio a ele. Aliás, não é exagero dizer que somente as célebres sequências em que o personagem dança tango e o discurso final no auditório de uma escola já seriam suficientes para que ele fosse escolhido o vencedor.


Com o brilhantismo que lhe é habitual, Al Pacino não faz parte do filme. Ele é o filme. Uma pena que, após o Oscar, ele passou a dar as caras com menor frequência e, convenhamos, se meteu em alguns belos abacaxis: Contato de Risco (2003) e As Duas Faces da Lei (2008). Ainda assim, filmes como O Informante (1999), Insônia (2002) e You Don't Know Jack (2010) mantiveram em alto nível a carreira do que pode ser considerado se não "o" maior, um dos maiores atores vivos do cinema mundial.
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Faltam 21 dias para o Oscar 2011.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Minhas Mães e Meu Pai

Os autores de novelas globais se orgulham do suposto papel "social" que suas "obras" tem para com o público. De uns tempos para cá, tem sido comum a inserção de personagens que atentam para questões delicadas, como a Síndrome de Down, os maus tratos a idosos, gravidez na adolescência, etc. Porém, nada causa mais polêmica do que os frequentes casais homossexuais apresentados nos folhetins da emissora do plim-plim. Mas que casais são esses, que não se beijam, mal se abraçam e, quando muito, andam de mãos dadas? Oficialmente, usa-se como desculpa a nobreza do horário em que as novelas vão ao ar. Sei... Bem, por mais que não seja revolucionário (nem tão ousado) em seus propósitos de cunho social e seja repleto dos piores lugares-comuns do gênero, Minhas Mães e Meu Pai ao menos serve como um tapa na cara da hipocrisia de Gilbertos Bragas e Aguinaldos Silvas da vida.

Dirigido por Lisa Cholodenko, o longa acompanha o casal Nic (Annette Bening) e Jules (Julianne Moore), cuja filha mais velha está a poucos dias de mudar-se para a universidade. Antes disso, porém, ela e o irmão tomam uma atitude pouco convencional: sabendo que foram gerados com o esperma do mesmo doador, decidem procurar seu "pai biológico" sem, claro, que as mães saibam. Apesar da premissa e dos primeiros minutos sugerirem uma comédia leve e sem grandes pretensões, a cineasta pesa a mão em momentos importantes da trama, e faz com que o filme poucas vezes soe convincente quando envereda para o seu lado mais dramático.

E é uma pena que Minhas Mães e M
eu Pai acabe se levando muito a sério, pois é nos momentos mais simples e cômicos que a narrativa encontra seus eixos e permite que o elenco - afinadíssimo - brilhe. Personficando uma lésbica mais masculinizada que sua parceira, Annette Bening praticamente opera um milagre ao incutir personalidade e carisma a uma figura muito mal desenvolvida pelo roteiro: chega a ser irritante notar como a personagem vai adequando-se às demandas da narrativa, mudando o tom com excessiva frequência. Felizmente, o talendo da atriz compensa esse deslize.

Enquanto isso, Julianne Moore empresta sua habitual leveza a uma personagem cujo verdadeiro propósito dentro da história é motivar a crise conjugal que - além
de forçada - torna o filme um festival de clichês (rola até uma das esposas dormindo no sofá... Pois é...). Já Mark Ruffalo acerta na dosagem e faz do pai um sujeito simples e despreocupado, até seus "filhos" entrarem em sua vida. E essa situação pouco convencional acaba por balançá-lo consideravelmente, uma vez que ele se apega aos jovens, bem interpretados por Mia Wasikowska e Josh Hutcherson.

Como boa parte do cinema
independente produzido nos Estados Unidos, onde a tradicional família norte-americana é distorcida e mostrada como moderna e irreverente (vide Pequena Miss Sunshine e Juno), Minhas Mães e Meu Pai faz questão de apresentar personagens excêntricos, intelectualizados e preocupados com o meio ambiente, mas que não sabem lidar com crises de relacionamento e, como qualquer ser humano, amam e querem ser amados. No dia em que as novelas da Globo conseguirem capturar a essência desse ser humano - e não de seus esteriótipos - a desculpa do horário nobre vai ter que ir pelo ralo.

Nota: 7

The Kids Are All Right, 2010. De Lisa Cholodenko. Com Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Mia Wasikowska, Josh Hutcherson. Comédia/Drama.





segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

John Barry, 1933 - 2011

Hoje o cinema perdeu mais um grande nome. Aos 77 anos, o compositor John Barry faleceu devido a um ataque cardíaco, em Nova York. Britânico de York, ele ficou mundialmente conhecido pela criação de diversos temas para filmes da franquia James Bond, como 007 Contra Goldfinger (1964), 007 - Os Diamantes São Eternos (1971) e 007 Na Mira dos Assassinos (1985). Além dos "double-o-movies", Barry compôs a trilha sonora de clássicos do cinema americano entre as décadas de 60 e 90. Obras como Entre Dois Amores (1985), Dança Com Lobos (1990) e Perdidos na Noite (1969) certamente foram engrandecidas pelo talento de seu compositor que, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, conquistou nada menos que 5 Oscar, quatro por Trilha Sonora Original (Dança Com Lobos, Entre Dois Amores, O Leão no Inverno e Born Free) e um por Canção Original (Born Free).

Descobri John Barry quando descobri James Bond, há alguns bons anos. Por mais que o tema principal do agente não fosse de sua autoria (é de Monty Norman), sempre achei as composições para os filmes quase tão interessantes quanto os próprios filmes. Sobretudo em 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (1974), onde o exagerado tom cômico desvia boa parte das atenções para a música de John Barry (mesmo sendo um de seus trabalhos menos notáveis). Apesar deste pequeno "tropeço", sua contribuição para a série é imensurável. Como esquecer as poderosas melodias das canções que dão nome a dois dos melhores longas do espião: "Goldfinger", na voz de Shirley Bassey, e "Thunderball" (007 Contra a Chantagem Atômica), interpretada por Tom Jones. Particularmente, considero a trilha de 007 Na Mira dos Assassinos seu melhor momento na franquia, especialmente nas sequências de ação - empolgantes muito graças à música.

Enfim... Desde o final do ano passado, o cinema tem perdido uma série de importantes figuras. John Barry e sua música vão fazer falta.